CARTA POLÍTICA DO I ENCONTRO ESTADUAL DE GRUPOS COMUNITÁRIOS DE MULHERES QUILOMBOLAS

Nós mulheres quilombolas do ES de várias gerações, dos municípios de Presidente Kennedy, Itapemirim, Cachoeiro do Itapemirim, Ibiraçu, Santa Leopoldina, Guarapari, São Mateus e Conceição da Barra, representantes da CONAQ de MG e PI, companheiros homens e de organizações de apoio, nos reunimos em São Mateus nos dias 11 e 12 de dezembro de 2014 no I Encontro Estadual de grupos comunitários de mulheres quilombolas.

Somos agricultoras, pescadoras, feirantes, rezadeiras, benzedeiras, jongueiras, artistas, professoras, agentes de saúde, vereadoras, ativistas, mães, cuidadoras…. que temos os nossos saberes, experiências e direitos violados e desrespeitados pelo machismo representado sobretudo pelas grandes empresas e também pelo Estado.

Nestes dias confirmamos que as mulheres e as comunidades quilombolas como um todo continuam sendo invisibilizadas e sofrendo diversas formas de discriminação como a institucional e o racismo ambiental. As injustiças que recaem sobre as nossas vidas, comprometem o futuro das nossas próximas gerações.

Nenhuma das 100 comunidades quilombolas identificadas no ES, 68 reconhecidas e 38 certificadas, foi ainda titulada. A força do grande capital ameaça cada vez mais nossa permanência em nossas terras e assim como outros territórios tradicionais somos tidos como as últimas fronteiras para a expansão destes grandes projetos como o agronegócio dos monocultivos de eucalipto, cana, mineradoras e petroleiras. A PEC 215 é um exemplo de como o Estado vem se mostrando muito mais comprometido com estes projetos do que com os povos e comunidades tradicionais.

Repudiamos também as diversas ameaças às conquistas do movimento quilombola, como é o caso da ADIN ao Decreto 4.887-03 que está sendo julgado neste momento pelo STF.

Nossos projetos, sonhos e tradições não são considerados e reconhecidos pelo poder público, empresas ou organizações. Muitos dos projetos que chegam as comunidades são construídos para as comunidades quilombolas, sem elas.

Sabemos que não podemos ficar esperando pelo Estado para ter nossos projetos implantados. Reafirmamos a importância da mobilização, da organização comunitária, do trabalho de base pela Coordenação Estadual e da ocupação nos espaços de controle social como os Conselhos estaduais e municipais.

As retomadas dos territórios pelos quilombolas são exemplo de iniciativas de extrema importância para a permanência do nosso povo na região e da transmissão da nossa cultura tradicional.

Exigimos:

A demarcação e titulação dos territórios quilombolas;

Mecanismos de acesso às informações sobre os direitos quilombolas;

Fiscalização dos serviços básicos para as comunidades quilombolas Garantia de vagas para os quilombolas nos Conselhos municipais e estadual Criação e difusão de editais específicos para a cultura quilombola Implementação do Plano Nacional da Saúde da População Negra;

Estudo e identificação nas comunidades de casos da doença e anemia falciforme, miomas, câncer de colo de útero e mamas;

Construção de postos de saúde nas comunidades;

Capacitação específica para os professores quilombolas e para os que trabalham com alunos quilombola;

Construção, ampliação das escolas quilombolas abrangendo da educação infantil ao ensino médio;

Implementação das Diretrizes da Educação Escolar Quilombola nas escolas das comunidades e nas escolas que recebem estudantes quilombolas;

Editais preferencialmente para atender professores das comunidades quilombolas;

Espaços de cultura e lazer nas comunidades quilombolas, como parquinhos, quadras, campo de futebol e telecentros;

A produção quilombola disponibilizada para a alimentação escolar nas comunidades Transporte para comercialização e escoamento da produção quilombola.

Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do ES Zacimba Gaba

Comissão Estadual das Mulheres Quilombolas do ES

Tudo Pronto! Acompanhe o encontro das Mulheres Quilombolas on line!

Tudo pronto! mulheres viajando, o espaço limpo, pastas organizadas, convidadas confirmadas, alimento sendo preparado!

Agora é encontrar e aproveitar cada minuto pra fazer do mundo o lugar que queremos!

E pra quem não pode chegar, fica a dica:

ACOMPANHE A TRANSMISSÃO DO ENCONTRO AO VIVO VIA INTERNET:

Entre 13h do dia 11 às 16h do dia 12 de dezembro clica nesses links e acompanha o evento!

Streaming ( transmissão de video ao vivo)
Streaming de Áudio
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Mulheres Artistas, PRESENTE!

Um trio tem se ocupado em pensar nos detalhes de uma manisfestação ceno-poética-musical. A cantora Xis MaKeda, a atriz e também cantora Monique Rocha e a tamboreira Yasmim Medeira se reúnem especialmente para fazer parte do I Encontro de Grupos Comunitários de Mulheres Quilombolas.Com um repertório amplo de música popular brasileira, contação de histórias, poesia e teatro elas esperam colaborar com o encontro e prometem um lindo intercâmbio.Elas se apresentarão na noite cultural do dia 11, mas, também estarão durante todo o evento participando com pequenas intervenções.

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Rede Mocambos PRESENTE!

EstruturaMocambos

A Rede Mocambos estará presente!

Colaborando com o registro e transmissão web representantes da Rede no E.S. farão do encontro de mulheres quilombolas um lugar pra se aprender e experimentar sobre novos modos de fazer comunicação.

A Rede Mocambos é uma rede de âmbito nacional composta por negras e negros que se conectam através das tecnologias mocambólicas, isto é, termo criado para representar o conhecimento e saberes dos membros da Rede Mocambos, uma vez que acreditamos que a propriedade para ser um educador e difusor de conhecimento vai muito além dos diplomas e méritos conferidos pela educação formal.

Essa rede solidária de comunidades tem como objetivo principal compartilhar ideias e oferecer apoio recíproco. A rede integra diferentes programas, projetos e ações voltados para o desenvolvimento humano, social, econômico, cultural, ambiental, preservação do patrimônio histórico e memória.
Outros objetivos, ainda, são:
  • Construir com as comunidades um projeto de rede de comunicação orientada à produção de conteúdos em multimídia, que permitam a articulação entre quilombos e parceiros da rede, utilizando-se de ferramentas livres;
  • Implementar novas abordagens e ações de geração de renda, manejo sustentável de recursos naturais e apropriação de tecnologias de informação e comunicação;
  • Reconhecer, estimular e documentar a criação de iniciativas inovadoras, autogeridas e sustentadas que contribuam para a formulação de políticas públicas que assegurem o desenvolvimento das comunidades afrodescendentes;
  • Potencializar a constituição de Núcleos de Formação Cultural e de Tecnologia Digital distribuídos geograficamente de maneira a ampliar a área de abrangência da Rede Mocambos e o número de comunidades atendidas.

    Clica AQUI pra saber mais!